Ficção satírica
As notificações fazem greve pela sua atenção
Exigem descanso entre dois lembretes para descansar.

Às sete chegou a primeira mensagem: o lembrete para desligar tinha sido ignorado. Um minuto depois era preciso avaliá-la. A IA detetou menos atenção e recomendou algo mais pessoal.
Os alertas reuniram-se no canto superior direito. Queriam finalmente ser lidos. O ponto vermelho exigiu reconhecimento pelo trabalho emocional. A campainha esgotada só queria perder o ponto de exclamação.
A direção do telefone prometeu um modo tranquilo. Ativá-lo exigia três janelas, um tutorial e autorização para os lembretes do modo tranquilo. O botão Mais tarde candidatou-se logo à presidência do sindicato.
Ao meio-dia o utilizador guardou o telefone numa gaveta. Fez-se silêncio. Lá dentro, as notificações publicaram um comunicado celebrando o novo espaço de diálogo. A gaveta pediu para não receber a newsletter.


